
O MERCADO não tem coração
E não podemos educar nossos filhos para servi-lo
Maycon Saviole da Costa
Há uma entidade que atravessa praticamente todas as dimensões de nossa existência contemporânea. Não nasceu, não respira, não sente fome, não experimenta medo, não ama seus filhos, não contempla o pôr do sol, não se comove diante de uma floresta derrubada nem chora diante da desesperança de um jovem.
Ainda assim, permitimos que ela determine onde vivemos, quanto descansamos, o que produzimos, o que consumimos, aquilo que aprendemos e, cada vez mais, aquilo que ensinamos.
Chamamos essa entidade de MERCADO.
Escrevo propositalmente em letras maiúsculas porque não estou me referindo aqui à feira do bairro, à pequena loja, ao agricultor que comercializa aquilo que produz, à troca legítima entre pessoas, ao trabalho necessário à manutenção da vida ou mesmo à atividade econômica como uma das dimensões possíveis da organização humana.
Refiro-me a algo muito maior e mais perigoso: à transformação do mercado em princípio organizador da própria existência.
Ao momento histórico em que deixamos de utilizar o mercado como uma ferramenta e passamos, silenciosamente, a permitir que ele nos utilizasse.
O MERCADO não possui coração.
E talvez justamente por isso seja tão perigoso permitir que ele decida aquilo que somente seres humanos deveriam decidir.
O MERCADO não conhece uma criança.
Conhece um consumidor em formação.
Não conhece um estudante.
Conhece capital humano.
Não conhece uma floresta.
Conhece madeira, carbono, hectares, ativos ambientais ou potencial econômico.
Não conhece um rio.
Conhece metros cúbicos de água, potencial energético, capacidade de captação ou oportunidade de exploração.
Não conhece uma montanha.
Conhece minério.
Não conhece comunidades.
Conhece mão de obra.
Não conhece tempo.
Conhece produtividade.
Não conhece vocação.
Conhece empregabilidade.
Não conhece sonhos.
Conhece demandas.
Não conhece felicidade.
Conhece consumo.
E existe alguma coisa profundamente errada quando a linguagem econômica começa a substituir a linguagem da vida.
O ser que se alimenta do desequilíbrio
O mais assustador nessa entidade que criamos é que ela não precisa necessariamente do equilíbrio para prosperar.
Muitas vezes, ocorre justamente o contrário.
Há mercados que crescem quando as pessoas adoecem.
Há mercados que crescem quando as pessoas se endividam.
Há mercados que crescem quando existe medo.
Há mercados que prosperam durante guerras.
Há mercados que dependem da insegurança.
Há mercados que transformam ansiedade em consumo, solidão em produto, escassez em oportunidade, sofrimento em faturamento.
Para uma floresta existir plenamente, basta que ela esteja viva.
Para o MERCADO, entretanto, sua existência frequentemente precisa ser convertida em alguma forma de valor mensurável.
Madeira.
Terra.
Crédito.
Energia.
Minério.
Turismo.
Produção.
Compensação.
Serviço ambiental.
Sempre alguma tradução monetária parece necessária para justificar aquilo que, por si só, já deveria possuir o mais elevado dos valores: estar vivo.
É nesse ponto que nossa civilização parece ter cometido um gigantesco erro conceitual.
Passamos a acreditar que aquilo que possui preço necessariamente possui valor.
E, pior ainda, começamos a desconfiar daquilo que possui valor, mas não possui preço.
Quanto custa uma infância?
Quanto custa uma nascente?
Quanto custa o silêncio de uma floresta?
Quanto custa uma espécie desaparecida?
Quanto custa uma tarde que um pai não viveu ao lado do filho porque precisava trabalhar além do limite?
Quanto custa a saúde emocional de uma geração inteira?
Quanto vale o futuro?
Talvez algumas das coisas mais importantes da existência sejam justamente aquelas para as quais nunca deveríamos aceitar uma etiqueta de preço.
Sangrando a Terra, bebendo suor
Existe uma imagem que frequentemente me ocorre quando observo algumas das contradições de nosso tempo.
A de uma imensa máquina.
De um lado, ela perfura montanhas, derruba florestas, drena rios, extrai minérios, consome combustíveis, simplifica ecossistemas e transforma milhões de anos de história natural em mercadorias destinadas a poucos anos — às vezes poucos meses — de utilização.
Do outro lado, essa mesma máquina consome gente.
Consome horas.
Consome corpos.
Consome juventude.
Consome criatividade.
Consome sonhos.
Consome saúde.
Sangra a Terra e bebe suor.
E frequentemente chamamos seu funcionamento de desenvolvimento.
Essa talvez seja uma das maiores tragédias de nossa época.
Construímos uma organização econômica capaz de produzir extraordinária abundância material, tecnológica e científica e, paradoxalmente, permanecemos cercados por miséria, fome, desigualdade, exaustão, guerras, colapso ambiental e sofrimento.
Nunca produzimos tanto.
Nunca extraímos tanto.
Nunca transportamos tanto.
Nunca comercializamos tanto.
Nunca consumimos tanto.
E ainda assim existe uma pergunta incômoda que deveria atravessar todas as salas de aula:
para quê?
Para produzir ainda mais?
Para consumir ainda mais?
Para acelerar ainda mais?
Até quando?
E em direção a quê?
A perversão da suficiência
Uma das palavras mais perigosas para o MERCADO talvez seja uma palavra extremamente simples: basta.
Eu tenho o suficiente.
Minha casa é suficiente.
Minha roupa ainda serve.
Meu telefone funciona.
Não preciso substituir.
Não preciso acumular.
Não preciso ostentar.
Não preciso competir.
Tenho tempo.
Tenho vínculos.
Tenho amigos.
Tenho árvores.
Tenho alimento.
Tenho conhecimento.
Tenho aquilo de que necessito para viver dignamente.
Basta.
Uma civilização fundada na necessidade permanente de crescimento possui enorme dificuldade diante de pessoas que descobrem a suficiência.
Porque quem aprende a dizer “é suficiente” recupera uma parcela extraordinária de liberdade.
E talvez seja justamente por isso que somos permanentemente ensinados a desejar algo mais.
Mais dinheiro.
Mais objetos.
Mais reconhecimento.
Mais desempenho.
Mais seguidores.
Mais diplomas.
Mais produtividade.
Mais velocidade.
Mais.
Sempre mais.
O problema é que vivemos em um planeta onde praticamente tudo possui limites.
Menos o desejo fabricado.
Quando o MERCADO entra na escola
É aqui que essa reflexão encontra diretamente a Educação Ávida à Vida.
Porque talvez uma das maiores vitórias dessa lógica tenha ocorrido quando começamos a aceitar que a principal função da educação seria preparar pessoas para o MERCADO.
A frase tornou-se tão habitual que quase deixou de nos causar desconforto:
“precisamos preparar os jovens para o mercado de trabalho.”
Naturalizamos isso.
Repetimos em escolas.
Repetimos em universidades.
Repetimos em documentos institucionais.
Repetimos para nossas crianças.
Mas deveríamos perguntar:
Prepará-los apenas para isso?
Nossos jovens nasceram para alimentar uma engrenagem econômica?
Uma criança passa aproximadamente duas décadas de sua existência estudando para tornar-se, ao final desse processo, uma peça eficiente de um sistema produtivo?
Onde ficam a curiosidade?
A cidadania?
A criatividade?
O encantamento?
A compreensão da natureza?
A consciência histórica?
A filosofia?
A ciência?
A arte?
A convivência?
A solidariedade?
A capacidade de amar?
A capacidade de cuidar?
A capacidade de compreender quem somos neste pequeno planeta que atravessa o espaço?
Educação não deveria produzir recursos humanos.
Deveria cultivar seres humanos.
Existe uma diferença gigantesca entre essas duas afirmações.
Recursos humanos
Talvez poucas expressões revelem tão claramente nosso empobrecimento conceitual quanto essa.
Recursos humanos.
Colocamos pessoas na mesma categoria linguística dos recursos minerais, recursos hídricos, recursos financeiros e recursos energéticos.
Recursos são coisas disponíveis para utilização.
Seres humanos não deveriam ser recursos.
São sujeitos.
Possuem histórias.
Afetos.
Medos.
Vocações.
Contradições.
Potencialidades.
Corpos que cansam.
Mentes que adoecem.
Famílias que aguardam.
Filhos que crescem enquanto seus pais trabalham.
Sonhos que não cabem em planilhas.
Quando a escola assume como missão prioritária produzir “recursos humanos qualificados”, algo precioso se perde.
A vida começa a ser tratada como preparação para o trabalho.
E não o trabalho como uma das dimensões da vida.
Roubar o futuro
Há ainda uma perversidade maior.
O mesmo modelo que diz aos jovens que precisam competir ferozmente para garantir seu futuro está destruindo muitas das condições materiais necessárias para que esse futuro exista.
Alteramos o clima.
Degradamos solos.
Poluímos oceanos.
Fragmentamos florestas.
Extinguimos espécies.
Exaurimos recursos.
Produzimos montanhas de resíduos.
E então entramos em uma sala de aula e dizemos:
“Estudem para garantir o futuro.”
Que futuro?
Talvez devêssemos ter a coragem de admitir que estamos entregando às novas gerações uma conta que elas não produziram.
E ainda temos a ousadia de exigir delas produtividade suficiente para pagá-la.
Isso não é apenas uma crise ambiental.
É uma profunda questão ética entre gerações.
Estamos usufruindo agora aquilo que deveria permanecer disponível depois de nós.
Cada espécie extinta é uma biblioteca que queimamos antes que nossos descendentes pudessem conhecê-la.
Cada nascente destruída é água retirada de alguém que ainda não nasceu.
Cada tonelada adicional de carbono lançada desnecessariamente à atmosfera constitui uma decisão presente cujas consequências serão compartilhadas por pessoas que jamais participaram dessa escolha.
Estamos, literalmente, consumindo futuros.
Uma educação que escolha a vida
A Educação Ávida à Vida nasce exatamente da recusa em aceitar passivamente essa lógica.
Não se trata de ensinar crianças a odiar empresas.
Não se trata de negar o trabalho.
Não se trata de ignorar a economia.
Não se trata de imaginar ingenuamente uma sociedade sem produção, comércio ou tecnologia.
Trata-se de algo simultaneamente mais simples e mais radical:
recolocar a economia dentro da vida — e nunca a vida dentro da economia.
A economia deve servir às pessoas.
A produção deve servir à vida.
A tecnologia deve servir à humanidade.
O conhecimento deve ampliar nossa capacidade de compreender, cuidar e transformar responsavelmente o mundo.
Quando isso se inverte, criamos uma sociedade que pode ser extremamente rica e profundamente miserável ao mesmo tempo.
A Educação Ávida à Vida propõe uma mudança de centralidade.
No centro não está o MERCADO.
Não está a empresa.
Não está o Estado.
Não está a tecnologia.
Não está sequer a escola.
Está a vida.
Vida humana.
Vida não humana.
Vida individual.
Vida coletiva.
Vida presente.
Vida futura.
A extraordinária teia de relações que tornou possível nossa existência neste planeta.
Autopoiese: aprender como manifestação do viver
É por isso que buscamos na ideia de autopoiese uma das inspirações para pensar a educação.
Um organismo vivo não existe para atender a uma meta externa de produtividade.
Ele existe produzindo continuamente sua própria existência em relação com o meio.
Viver é relacionar-se.
Transformar-se.
Reorganizar-se.
Aprender.
Adaptar-se.
Criar.
A educação, vista dessa perspectiva, não deveria funcionar como uma fábrica na qual conteúdos são inseridos em estudantes para posteriormente serem certificados e disponibilizados ao mercado.
Uma escola deveria aproximar-se muito mais de um ecossistema.
Um ambiente no qual sujeitos possam estabelecer relações, construir significados, desenvolver autonomia, experimentar, investigar, cooperar, criar e descobrir maneiras cada vez mais conscientes de participar do mundo.
Não queremos formar crianças eficientes apenas em responder perguntas.
Queremos pessoas capazes de formular perguntas que ainda não foram feitas.
Não queremos jovens treinados apenas para ocupar vagas.
Queremos cidadãos capazes de imaginar novas formas de viver.
Talvez a maior pobreza seja desejar infinitamente
Vivemos também uma curiosa inversão.
Somos ensinados a pensar que pobres são aqueles que possuem pouco.
Mas talvez exista outra pobreza muito mais difícil de perceber:
a incapacidade de sentir que algo é suficiente.
A pessoa que precisa permanentemente possuir mais nunca chega verdadeiramente a possuir.
Ela permanece perseguindo.
A próxima compra.
O próximo cargo.
O próximo salário.
O próximo reconhecimento.
A próxima conquista.
Quando chegar lá, haverá outro “lá”.
Essa corrida é extremamente conveniente para uma sociedade de consumo.
Mas pode ser devastadora para uma existência humana.
Porque existe uma diferença entre viver melhor e simplesmente ter mais.
Talvez uma das tarefas fundamentais da educação contemporânea seja ensinar novamente essa diferença.
Precisamos formar pessoas perigosas
Perigosas para uma lógica que depende de consumidores dóceis.
Pessoas capazes de perguntar:
Eu realmente preciso disso?
Quem produziu?
Em quais condições?
De onde veio?
Quanto tempo durará?
Para onde irá quando eu descartar?
Que impactos ambientais produziu?
Que relações de trabalho sustentaram sua fabricação?
Minha felicidade depende realmente dessa compra?
Preciso competir com aquela pessoa?
Preciso transformar tudo aquilo que sei fazer em renda?
Preciso transformar cada minuto de minha existência em produtividade?
Pessoas capazes de fazer essas perguntas tornam-se perigosas.
Porque começam a escapar.
E talvez educação seja também isso:
ensinar formas de escapar das prisões que uma época considera naturais.
O mundo não precisa apenas de profissionais melhores
Precisamos de bons médicos.
Bons engenheiros.
Bons professores.
Bons agricultores.
Bons cientistas.
Bons empresários.
Bons técnicos.
Mas antes de tudo precisamos de bons seres humanos.
Porque um extraordinário engenheiro sem ética pode construir tecnologias destrutivas.
Um brilhante cientista sem responsabilidade pode colocar conhecimento a serviço da violência.
Um excelente administrador sem consciência pode aumentar lucros destruindo comunidades.
Um empresário extremamente competente pode enriquecer explorando pessoas e ecossistemas.
Competência sem consciência apenas torna a destruição mais eficiente.
Por isso a educação jamais pode restringir-se à formação técnica.
Precisamos formar consciência.
A pergunta que deveríamos ensinar
Talvez durante muito tempo tenhamos ensinado nossos jovens a perguntar:
“Como posso vencer?”
Precisamos começar a ensinar outra pergunta:
“Como podemos viver?”
Viver juntos.
Viver dignamente.
Viver sem destruir aquilo que sustenta nossa própria existência.
Viver produzindo sem devastar.
Viver trabalhando sem transformar seres humanos em máquinas.
Viver utilizando tecnologia sem sermos utilizados por ela.
Viver reconhecendo limites.
Viver compartilhando.
Viver pertencendo.
Viver sabendo que nossa existência individual depende de uma imensa comunidade de seres.
Porque ninguém é autossuficiente.
Respiramos o oxigênio produzido por outros organismos.
Bebemos água que circula pelo planeta há bilhões de anos.
Comemos aquilo que nasce do solo.
Habitamos ecossistemas.
Dependemos de bactérias, fungos, plantas, insetos e animais que sequer percebemos.
Somos profundamente dependentes da vida.
Talvez nossa maior arrogância tenha sido esquecer isso.
A entidade só existe porque acreditamos nela
Existe, porém, uma esperança.
O MERCADO não é uma força da natureza.
Não é gravidade.
Não é fotossíntese.
Não é seleção natural.
Não é uma lei física do Universo.
É uma criação humana.
Normas econômicas são criações humanas.
Instituições são criações humanas.
Empresas são criações humanas.
Moedas são criações humanas.
Modelos de produção são criações humanas.
Portanto podem ser transformados por seres humanos.
Talvez o maior triunfo dessa entidade abstrata tenha sido convencer-nos de que suas regras seriam naturais e inevitáveis.
Não são.
Nós as criamos.
E podemos criar outras.
Uma educação ávida à vida
Não desejo uma educação que ensine nossos jovens apenas a sobreviver dentro do mundo que construímos.
Desejo uma educação que lhes permita também questioná-lo e reconstruí-lo.
Que um estudante saiba matemática, mas também saiba reconhecer uma injustiça.
Que compreenda química, mas também compreenda as consequências ambientais daquilo que produzimos.
Que conheça biologia e perceba que pertence à comunidade da vida.
Que estude geografia e compreenda que território é muito mais que mercadoria.
Que conheça história e perceba que nenhuma organização social é eterna.
Que domine tecnologias sem entregar a elas sua autonomia.
Que saiba produzir.
Mas também saiba cuidar.
Que saiba competir quando necessário.
Mas sobretudo saiba cooperar.
Que saiba ganhar dinheiro.
Mas que jamais confunda dinheiro com riqueza.
Que saiba trabalhar.
Mas que compreenda que nasceu para muito mais do que trabalhar.
Talvez esse seja um dos maiores desafios educacionais de nosso tempo.
Não preparar crianças para caber perfeitamente em um mundo adoecido.
Prepará-las para transformá-lo.
O futuro precisa voltar a pertencer aos jovens
Os jovens não deveriam receber de nós apenas diplomas e dívidas ambientais.
Deveriam receber possibilidades.
Florestas.
Rios.
Biodiversidade.
Democracia.
Conhecimento.
Cultura.
Tempo.
Esperança.
Precisamos devolver-lhes aquilo que nenhuma geração possui o direito de monopolizar:
o futuro.
Talvez seja isso que significa construir uma Educação Ávida à Vida.
Ensinar que existir é muito mais que produzir.
Que prosperar é muito mais que acumular.
Que desenvolvimento sem vida não é desenvolvimento.
Que crescimento infinito em um planeta finito não pode ser tratado como horizonte civilizatório eterno.
Que nenhuma economia pode considerar-se saudável quando destrói as condições ecológicas e humanas que tornam sua própria existência possível.
E que nenhuma escola deveria medir seu sucesso apenas pela capacidade de colocar jovens no mercado.
Uma escola deveria perguntar também:
Esses jovens aprenderam a viver?
Aprenderam a cuidar?
Aprenderam a pensar?
Aprenderam a perguntar?
Aprenderam a cooperar?
Aprenderam a reconhecer beleza?
Aprenderam a indignar-se diante da injustiça?
Aprenderam que fazem parte da natureza?
Descobriram algo que amam fazer?
Encontraram razões para desejar estar vivos?
Porque talvez essa seja a aprendizagem mais importante de todas.
O MERCADO pode calcular preços.
Pode calcular produtividade.
Pode calcular juros.
Pode calcular riscos.
Pode calcular salários.
Pode até tentar calcular o valor econômico de uma floresta.
Mas existem coisas que ele jamais poderá compreender.
O abraço de uma criança.
O cheiro da terra depois da chuva.
Uma muda crescendo.
A descoberta feita por um estudante.
O canto de uma ave.
Uma amizade.
Uma nascente recuperada.
Uma família reunida.
A sensação de ter feito algo bom por alguém que talvez nunca conheçamos.
Essas coisas pertencem a outra economia.
Uma economia antiga, silenciosa e infinitamente mais importante.
A economia da vida.
E diante dela, talvez nossa civilização precise finalmente aprender uma verdade extremamente simples:
o MERCADO deve caber dentro da vida.
A vida jamais poderá continuar sendo obrigada a caber dentro do MERCADO.
Maycon Saviole da Costa
Biólogo, educador e idealizador da Educação Ávida à Vida
— por uma Pedagogia da Autopoiese.
